Assunto: Dia do Marinheiro
"Sou Marinheiro e outra coisa não quero ser".
Essas palavras do Almirante Joaquim Marques Lisboa, Marquês de Tamandaré, demonstram todo o seu amor e devoção ao mar e à Marinha, na qual ingressou no alvorecer da Pátria, que ajudou a firmar e consolidar. Personalidade indiscutivelmente relevante, exerceu o seu primeiro comando com 18 anos de idade e foi diversas vezes herói, fruto de sua carreira e conduta exemplares, compondo o seleto grupo de brasileiros que resguardou o Império da desagregação, contribuindo para a concórdia e a paz no País. Sua história é rica e contempla episódios memoráveis, repletos de exemplos de coragem e abnegação, que devem ser relembrados.
Além da Guerra de Independência, onde esteve embarcado na Fragata "Nictheroy", durante a épica perseguição à frota portuguesa que deixava a Bahia, teve atuação destacada no Rio da Prata, durante a Guerra Cisplatina.
No período Regencial, tomou parte ativa na pacificação de um território, ainda em conformação, podendo ser citadas as insurreições "Setembrada" (1831), "Abrilada" (1832) e "Balaiada" (1838 a 1841), além do restabelecimento da ordem na Província do Pará (1835).
No Segundo Reinado, participou do conflito em solo uruguaio e comandou as nossas unidades no início da Guerra da Tríplice Aliança.
Faleceu no Rio de Janeiro, então Capital Federal da República, em 20 de março de 1897. Pelos seus feitos heróicos, espírito de sacrifício e dedicação ao Brasil, em 4 de setembro de 1925, foi instituído o 13 de dezembro como o Dia do Marinheiro, homenageando o Almirante Joaquim Marques Lisboa, em sua data natalícia e transformando-o em nosso Patrono. Em 13 de dezembro de 2004, foi consagrado como Herói da Pátria.
Suas muitas qualidades e, sobretudo, o seu caráter são exemplos, não somente para nós, mas também para os bons brasileiros de todos os tempos; relembrá-las é um exercício de patriotismo e de inspiração para que continuemos enfrentando os desafios, com total dedicação e galhardia.
Se o passado nos envolve com o brilhantismo de nosso Patrono, o presente se mostra realmente digno de sua bravura, como resultado do esforço de toda uma Força.
Neste ano de 2009, obtivemos muitas conquistas e avanços. Primeiramente, destaco algumas delas na área de pessoal: o reajuste salarial em torno de 8% que, apesar de estar aquém das necessidades, insere-se como parte da incessante luta pela valorização da profissão militar, tendo contribuído para reduzir a acentuada defasagem em relação às outras carreiras de Estado; a obtenção, por aquisição ou construção, de 1.165 novos Próprios Nacionais Residenciais, em diversas regiões do País; e o início das atividades das "Voluntárias Cisne Branco", cujas integrantes dedicam parte de seu tempo à nobre missão de ajudar os mais necessitados, dentre nossos militares e civis, ou seus dependentes, complementando as ações já conduzidas pela Instituição.
No setor do material, tivemos a incorporação de alguns meios: o Navio Polar "Almirante Maximiano", que será empregado, prioritariamente, em projetos do Programa Antártico Brasileiro; o Navio de Desembarque de Carros de Combate "Almirante Saboia", que aumentará nossa capacidade de realizar operações anfíbias; o Navio de Assistência Hospitalar "Tenente Maximiano", que conferirá uma capacidade de apoio hospitalar no Pantanal, até então inexistente; o Navio-Patrulha "Macaé", de 500 toneladas, incorporado no dia 9 de dezembro, que dará nome a uma classe de unidades, a serem construídas no Brasil e que contribuirão para a consecução das tarefas de patrulhar e manter a segurança das Águas Jurisdicionais, notadamente na área das bacias petrolíferas; e a transferência da Corveta "Barroso" para o Setor Operativo, no dia 23 de novembro.
Por fim, não poderia deixar de citar o nosso maior e mais ambicioso projeto: o submarino de propulsão nuclear. Sonhado desde há muito, estamos caminhando rapidamente para sua concretização. De elevada importância estratégica, esse meio fará com que ingressemos no seleto grupo de países que detêm a capacidade de operá-lo e construí-lo. Muito em breve, a Marinha estará materializando o seu programa, que também envolve quatro submarinos convencionais, com o lançamento, em Itaguaí-RJ, da pedra fundamental das obras do estaleiro onde eles serão construídos.
E o que nos reserva o tempo que está por vir?
Baseado nos sólidos exemplos do passado e no árduo trabalho do presente, o futuro mostra-se auspicioso. Em sintonia com o crescimento da Nação e de acordo com a orientação emanada da Estratégia Nacional de Defesa, estamos empenhados em poder contar com uma Força à altura da nossa relevância no cenário internacional e possuidora de capacidades que garantam os nossos interesses e soberania. Com fulcro nesse raciocínio, elaboramos um Programa de Articulação e Equipamento, que prevê a ampliação, a renovação e a modernização do Poder Naval, além da redistribuição, por diversas regiões, de meios e OM de terra, complementado pelo inerente aumento de efetivo.
Marinheiros, Fuzileiros Navais e Servidores Civis! Homens e mulheres da Marinha!
Vocês são os alicerces de nossa Instituição. Que o exemplo de Tamandaré mantenha sempre aceso o "Fogo Sagrado", de forma a que continuemos a vencer as dificuldades, seja no mar, no ar ou em terra; nos grandes centros ou nos mais longínquos rincões do Brasil; no frio da Antártica ou no calor do Haiti; na defesa da Pátria ou nas atividades subsidiárias, tão importantes para a sociedade! Orgulho-me de tê-los sob meu comando!
Aos agraciados com a Medalha Mérito Tamandaré, cujas cerimônias de imposição estão acontecendo nos diversos Distritos Navais, transmito os meus efusivos cumprimentos pelo muito que já fizeram e exorto-os a continuarem contribuindo para a conscientização, dos diversos segmentos da população, quanto à vocação marítima do País e quanto à importância estratégica e às riquezas contidas na "Amazônia Azul" e nas águas interiores. Desde já, eu lhes agradeço!
JULIO SOARES DE MOURA NETO
Almirante-de-Esquadra
Comandante da Marinha